Crise financeira afeta o bolso e o sono da população
Além de afetar o bolso e a confiança de parte da população, a crise financeira internacional contribui para o aumento de doenças físicas e psicológicas. O neurologista do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, Shigueo Yonekura, diz que em momentos de crise muitas pessoas começam a apresentar problemas com a depressão, alterações de sono e transtornos de ansiedade. “O medo de perder o emprego e os problemas financeiros tiram o sono de muita gente”, destaca o médico.
De acordo com Yonekura, em períodos de crise as queixas relacionadas à insônia aumentam de forma significativa. “As pessoas encontram mais dificuldades para dormir ou não conseguem manter o sono devido ao estresse e ansiedade causados pela crise”.
A insônia provocada pelos efeitos da crise pode ser considerada um tipo de distúrbio transitório, ou seja, que pode durar apenas algumas semanas. Mas o médico alerta para a insônia crônica, caso o problema persista por mais de um mês. Neste caso, o indicado é procurar ajuda de um especialista e evitar a automedicação. O médico lembra que noites mal dormidas podem comprometer o desempenho no trabalho e nos estudos, além de causar dores de cabeça. “Dormir faz bem à saúde e é determinante na qualidade de vida”, ressalta.
No Brasil, ainda não foi realizada nenhuma pesquisa sobre os impactos da crise no sono da população, mas um estudo publicado pelo site britânico NetDoctor (www.netdoctor.co.uk) mostrou que a preocupação com a economia é uma das principais responsáveis pelas noites mal dormidas do povo britânico. Das mil pessoas entrevistadas, cerca da metade afirma estar dormindo pior nos dias de hoje em comparação com o ano passado.
Segundo a pesquisa, 20% dos entrevistados passaram a dormir menos do que cinco horas por noite. Em média, 25% levanta-se três vezes durante a noite desde novembro do ano passado. Dos que levantam durante a noite, 63% têm dificuldades para voltar a dormir.
Para 60% dos entrevistados, a situação financeira e as preocupações com o trabalho atrapalham o sono.
O ronco também é um fator que contribui para a insônia. A pesquisa aponta que 30% das pessoas acordam durante a noite por causa do ronco de seus parceiros.
Para tentar minimizar os efeitos da crise no sono da população, Yonekura sugere que as pessoas se desliguem dos problemas de trabalho e das notícias sobre economia antes de dormir. “Atividades relaxantes e repousantes após o jantar são indicadas”. Outra orientação é evitar o consumo de bebidas alcoolicas e não exagerar em café, chá e refrigerante. A prática de exercícios regulares é saudável, desde que não seja próximo ao horário de dormir. Jantar moderadamente em horário regular e adequado também pode contribuir.
Inserida dia 03/4/2009
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