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Narcolepsia: sonolência excessiva diurna

A doença provoca muito sono de dia, o que deixa o paciente em perigo durante as tarefas que exigem concentração, como dirigir

JULIANA MIRANDA
Da reportagem local
Mogi News

Você sente sonolência excessiva durante o dia? Então cuidado, você pode estar com um problema pouco conhecido pela maioria das pessoas: a NARCOLEPSIA, uma condição neurológica caracterizada por episódios irresistíveis de sono. É um tipo de dissonia. Sua prevalência é de 0,018 a 0,040% de toda a população.
De acordo com o neurologista do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, Shigueo Yonekura, especialista em distúrbios do sono pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), a doença provoca a sonolência diurna excessiva, que deixa o paciente em perigo durante a realização de tarefas comuns, como dirigir e outras atividades que exigem concentração. "O problema faz com que a pessoa passe a apresentar dificuldades no trabalho, na escola e em casa. Pode causar problemas sociais e até depressão", explica.

Além da sonolência, entre outros sintomas, o especialista cita a cataplexia, que é a perda do tônus muscular reversível, usualmente deflagrada por emoção intensa, que ocorre durante o estado de vigília; a paralisia do sono, ou seja, a incapacidade de se mover ou falar ao cair no sono ou acordar; e os sonhos vívidos ao dormir ou acordar, caracterizados por alucinações.


Tratamento
O médico Yonekura explica que a NARCOLEPSIA é crônica e o tratamento deve ser feito por toda a vida: "Geralmente, o início dos primeiros sintomas ocorre na adolescência".

Fatores genéticos estão envolvidos com o aparecimento da doença, que é a deficiência de neurônios que produzem hipocretina no hipotálamo.

O neurologista revela que o tratamento da NARCOLEPSIA inclui remédios e mudanças no estilo de vida, que podem melhorar os sintomas, principalmente as crises de sono e da cataplexia.
Quanto aos medicamentos, eles visam a permitir que o paciente mantenha suas atividades normais do dia a dia, tanto no trabalho como na vida social. "Para facilitar o controle da sonolência diurna, sempre que possível, os pacientes devem tirar um cochilo de 10 a 20 minutos. Fazer um planejamento do dia a dia também ajuda a diminuir os sintomas", aconselha o especialista.



Doença é confundida com uma situação normal do dia a dia



Muitas pessoas sofrem de NARCOLEPSIA e não sabem. A família também desconhece e, na maioria dos casos, o problema é seguido de incompreensão. Familiares, amigos e patrões não entendem o motivo de tanto sono.

A sonolência, geralmente, é confundida com uma situação normal, o que leva a uma dificuldade de diagnóstico. É comum portadores da NARCOLEPSIA passarem a vida inteira sem se darem conta que o seu quadro é motivado por uma doença.

Segundo o neurologista do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, Shigueo Yonekura, especialista em distúrbios do sono pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), existe um preconceito e até vergonha por parte da pessoa que procura um médico para se queixar de muito sono, pois, na maioria das vezes, ela é vista como preguiçosa e dorminhoca, até, mesmo, por desconhecer a doença. "A informação é uma das principais ferramentas para evitar o preconceito e melhorar a qualidade de vida", frisa Yonekura.

O especialista diz que, quando a pessoa sentir os primeiros sinais, principalmente durante o dia e persistente, deve procurar ajuda de um neurologista, psiquiatra ou médico especialista em distúrbios do sono. "Caso contrário, as consequências podem ser graves", completa.

A pessoa com NARCOLEPSIA corre o risco de dormir a qualquer hora. (J.M.)


Inserida dia 19/10/2009

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